acid baby

Perdida.

 

 Meus pensamentos se esvaem como areia fina entre meus dedos. Tenho estado intangível, inalcançável, à milhas de distância de mim mesma. Compulsivamente organizo e reorganizo palavras, e ainda assim, o que escrevo não flui, o que falo não condiz. Impossível explicar o que me aflige quando o que sinto é tão meu que não existem palavras que o elucidem.  Engulo as palavras e elas ferem minha garganta como lâminas. Paro meu corpo em frente ao espelho e pergunto àquela figura de olhos grandes e cansados: o que você quer? Não há respostas, só o cruciante silêncio ecoa. Há algo errado, mas o quê? Como agir quando o próprio corpo se torna uma casa pequena demais pra abrigar uma alma tão impaciente?

 O incômodo constante é um mal sofrido por quem muito sente. Não há calma quando o peito abriga uma chama disposta a implodir a qualquer momento.

2 comentários:

  1. Esse texto me cabe, ou eu caibo nesse texto... Ou, ainda, é o espelho em que me encaro. Palavras tão bonitas e, ao mesmo tempo, tão doídas... Porque a impaciência dói. Primeira pinica, coça... mas logo dói.

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  2. Nunca um texto apareceu em hora tão propícia. Sinto que li tanto com os olhos quanto com o coração. "Há algo errado, mas o que?" resume meus pensamentos nessas últimas semanas. Tendemos não encarar os problemas quando estão bem na nossa frente, mas nada é pior do que sequer saber o que tanto nos aflige.

    bouleverser

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♥ sinta-se à vontade, meu amor, mi casa es su casa. só lembre-se: respeito acima de tudo. ♥