acid baby

Explicando



 Eu sempre fui muito curiosa sobre aleatoriedades do mundo, sempre gostei muito de buscar informação e de descobrir sobre qualquer que fosse o assunto. Justamente por isso, fiquei muitíssimo interessada quando a Netflix me sugeriu "Explicando". É uma série documental que aborda os mais diversas questões: de questões raciais a k-pop, de monogamia a problemática das dietas... Enfim. Os temas são muito abrangentes e sempre muito pertinentes, trazendo esclarecimento sobre coisas que muitas vezes não paramos pra pensar, não entramos em contato ou somos habituados a pensar de forma superficial. 

 Uma coisa de que gostei muito foi o tempo de duração dos episódios. São rápidos e diretos, indo de 15 a 20 minutos, e assim, não se tornam cansativos a quem assiste coisas muito longas são sempre um problema pra mim. Apesar disso, não deixam de ser muito bem explicados: contextualizam e explicam tudo, dando detalhes, dados históricos, imagens, estatísticas... Temos uma visão muito ampla do assunto, e o melhor: tudo é tratado de forma muito imparcial, ou seja, não há influência alguma, só a transmissão de informações consistentes e a explicação dos fatos. A produção é muito dinâmica. Mesmo trazendo muitas informações, é leve e permite plena absorção do conteúdo. É impecável. 

 Essa série é o tipo de coisa que sempre busquei e fiquei muito feliz ao encontrá-la, por isso fiz tanta questão de mencioná-la aqui no blog. Episódios novos são lançados semanalmente e não tenho perdido um sequer! A produção é muito bem elaborada, vale muito a pena assistir. É uma forma maravilhosa de gastar o tempinho livre distraindo-se e ao mesmo tempo aprendendo muito, de uma forma super bacana. Recomendo demais! 


Naturalismo.

É necessário saber também ser bicho; há algo importante na essência animal, algo que algo que deixamo-nos tragicamente esquecer. Pensar tanto é capaz de levar o melhor dos homens à loucura completa; buscar tão loucamente a razão deixa-te isento dela. Importante dar voz ao instinto!, cor aos desejos, vida ao desvarios. Desequilibrar-se em nuances, grasnar o gritar contido das bizarrices da alma. Virar fera faz-te humano; é necessário saber ser bicho. 

O Beijo

 Ligara-me tarde da noite. A tal altura, já encontrava-me num mar de lençóis e travesseiros, de olhos fechados em busca de um conforto que não vinha. Parece até que adivinhava o que viria a ocorrer; remexia-me pela cama, pensando ao mesmo tempo em nada e em tudo. Tão enfadado sentia-me que tanto cansaço tornava-se pesaroso e impedia-me de entregar-me aos braços de Morfeu.

 Não tenho ainda capacidade de julgar se tal falta de sono fora ou não conveniente aquela noite. Se inconsciente, de certo perderia o telefonema que ergueu-me da cama quase instantaneamente, tão desvairado que fiquei ao ouvir a voz por trás da linha.

  Assustou-me o vibrar do telefone perdido dentre os cobertores que me abraçavam. Apressei-me para tateá-lo — pela curiosidade, sim, mas ainda mais pelo enfezamento que causava aos meus nervos o zunir repetitivo — e meus olhos não creram no número exibido na tela minúscula do aparelho antiquado. Tanto não acreditei que atendi com certa indiferença; não havia em minha mente a mais remota possibilidade ouví-la. Mas ouvi. Não só a mais inesperada voz como a mais inesperada frase. E ao ouvir, meus lábios congelaram entreabertos e secos; havia qualquer coisa entre minha boca e garganta que impedia o mais ínfimo som de ser transmitido, algo que estancava toda cavidade de minha laringe e tornava todo o meu extenso vocabulário em nulo.

 — Então? Você pode? — reacordou-me do transe a voz familiar que causara tanta estranheza. Perguntara alguns segundos antes, disparada e tesa, se acaso eu poderia encontrá-la agora, nesse instante. Apesar de toda solidez nas palavras, não pôde maquiar um tremer quebradiço que trazia seu timbre. Perguntei-me o porquê de parecer trêmula; mas não pude desenvolver o pensamento, tão atônito estava.

Minha incapacidade de respondê-la foi cruel. Anestesia alguma fizera-me parar de tal forma. Parecia estar sendo reprimido por milhares de braços. Como se houvesse uma grossa casca impedindo-me de sair de mim, estático fiquei, completa e dolorosamente. Uma coisa só não pôde manter-se quieta: meu peito. O silêncio total permitia-me ouvir um estetoscópio o som de meu coração eufórico, agitando-se, explodindo, barulhento, uma bomba. Todas minhas forças pareciam concentrar-se nos infindos sentimentos que efervesciam dentro de mim; não restava espaço para nenhum ato que não senti-los na mais enlouquecedora plenitude. 

Talvez tenha sido o som de meu coração que tenha feito Clara esperar tão pacientemente por uma resposta. Não faço ideia de quanto passei preso em meu próprio corpo; podem ter sido míseros segundos ou mais de um minuto. Sei somente o quão eterno pareceu aquele tempo e aquele sentimento doido e doído que provocara-me sua chamada. 

— Onde? — foi só o que pude responder, com hercúleo esforço. 

— Você sabe. Já estou aqui. — dispara. Sua voz é um tiro: forte, veloz. 

Alguns segundos de silêncio e a ligação é encerrada.

Não precisei refletir sobre o local: certa estava, eu bem sabia. Há acontecimentos na vida que marcam a ferro e nos deixam bem lembrados de tudo: horas, cores, lugares. O lugar não tinha nada de especial. Era a frente de um posto antigo e de pouco movimento, ponto de encontro de nossos corpos sempre que decidíamos presentear-nos com a presença um do outro. Ali nos encontramos pela primeira vez e também pela última, quando eu, tão embebido em egoísmo e insensibilidade, desmanchei com minhas mãos as mais bonitas emoções que alguém um dia tivera por mim. Nas lágrimas que fiz Clara derramar, vi esvair-se e tornar-se vapor tudo o que ela por mim sentiu. Amor? Não sei se amor. Sei muito, mas não houve pesquisa que informasse com clareza no quê consiste essa palavra. Não poderia compreendê-lo nos olhos de outro alguém e também não sou capaz de buscar e encontrar em mim mesmo algo por suposto tão belo, puro e dual; este ar ególatra e individualista faz-me cego e incapaz de ver além de mim e dolorosamente sei disso. E justo por essa pesada consciência, afastei Clara de mim. Não sujaria sua aura límpida e branca com a negritude de meu vácuo.

Cenas correram vivas em minhas reminiscências, vultos rápidos e astutos que serviram tão somente para ainda mais me deslumbrar. Afastei-nas: tudo que surgia em minha mente fazia-me ainda mais confuso.

Mal vi o que vesti e como saí; sei somente que fui com os mais rápidos dos passos que meus pés puderam dar. Senti frio, graças à falta de atenção às roupas que escolhi como traje. Meus braços desnudos eriçavam-se ao dançar do vento e as nuvens pesadas que enfeitavam a noite escondiam as estrelas, avisavam da água que pretendiam entornar. Destinava meus olhos ao céu durante o caminho percorrido; já não raciocinava bem sobre nada, somente ia e ia. Não era longo o percurso; foi questão de minutos até que eu pusesse-me diante do posto desbotado onde a moça pedira-me para estar.

Tendo ela dito que já encontrava-se por ali, busquei com olhos ansiosos sua imagem. Não a encontrei; precipitado, supus ter mentido com intuito de colocar-me em pressa, como costumava fazer num passado não tão distante, mas fora uma questão de alguns segundos mais para que eu a encontrasse na outra calçada, encostada ao muro, exalando silêncio e uma mansidão que lhe era comum, mas assustou-me naquela hora, tão profunda que parecia. Olhava ao seu redor como quem observa as coisas de cima e sem novidade; não parecia esperar nada.  Não soube o que fazer. O óbvio seria atravessar a rua e perguntá-la o que poderia eu oferecê-la naquela noite; mas há tantos momentos nessa vida que o óbvio nos foge e torna-se vago, quase impossível. A encarei do meu lado da alameda; um carro solitário cortou por um instante o nosso contato visual, e assim que a pista tornou-se vazia, pôs-se a andar na minha direção. Esse movimento não deve ter durado mais que quinze segundos; para mim, vivê-lo tomou o tempo da eternidade. A assisti vir. Escondia suas mãos no casaco desproporcional que vestia — sentia provavelmente o mesmo frio que eu. Os cabelos soltos, loiros e lisos moviam-se junto a ela e seus olhos avelã certificavam-se zelosos de que não havia automóvel vindo em sua direção. Exalava calma e indiferença que tornavam-a oposta a mim.

Deparei-me com sua cara sardenta ante a minha; não pude ler aqueles grandes olhos redondos na hora e tampouco posso agora quando os lembro. Sei somente que encarou-me como quem confronta um bicho e esse ato levou-me a tal constrangimento que não poderia aqui descrever. Mais desconcertado ainda fiquei com o que seguiu. Clara nada disse nem nada fez que deixasse-me prevê-la. Aproximou nossas faces iluminadas pela luz amarela do poste e me beijou a boca, dura e rapidamente, com lábios que em nada me lembraram nosso passado. Havia qualquer coisa naquele ato que ia ao sentido contrário de quem ela parecia-me ser. Nada apreciei naquele beijo apático, tão frio quanto a noite que fluía. Penso até que tinha raiva. Não!, pior. Não tinha nada. Nenhum sentimento morava ali. Pior que o ódio, o vazio. E ouso dizer agora que talvez tenha sido justo isso que trouxera-lhe ali. Atestar o óbito de qualquer resíduo de possível amor.

— O que quer? — perguntei, retraído. Quis tocá-la, puxá-la para qualquer ato mais caloroso que o anterior. Claramente não o fiz; tampouco dei qualquer evidência do que pretendi.

— Nada. — murmurou em firme resposta.

Permaneceu olhando para mim por mais algum tempo. Alguns grilos cricrilavam em algum lugar dali e era essa a trilha sonora do momento. Não entendi o que se passara naquela mente. Nada enxerguei naqueles olhos. Clara devolvia-me agora o denso vácuo com que a enchi em cada segundo que estivemos juntos e eu o recebia com todo o peso que nele continha; penso até que triplicara, tão fraco que fiquei sob aquela carga. Senti minha própria queda mesmo que minhas pernas permanecessem erguidas.

Certo tempo depois de nosso jogo — ela escondendo o que eu precisava buscar e não achava —, sorriu como quem recebe uma esplêndida notícia. Os dentes brancos reluziram como faróis, os olhos tornaram-se estreitos na risada, e então, virou-me as costas, deixou-me estático, craquelado, a ponto de quebrar, engolindo meu próprio frio. Nenhuma resposta. Seguiu o sentido oposto do que costumava antes seguir. 

O retrato de um instante.

Abraço-te por trás e enxergo em teu cheiro cores, gostos e ares — alcanço tudo na ponta dos dedos. Encaro-te no espelho que nos retrata, onde teus olhos — que sorte! — me encaram também. Alguma música que não sei o nome enleia esta hora. Soa linda e suspeito que não por ser linda; sim porque som toma toda beleza do instante. Sorrimos. Nada é dito. A certeza encontra-me nessa hora; a conforto no silêncio define o amor.

29. Uma música que lembre da sua infância



 A música retrata alguém encarando a adolescência, mas acho que ela pode encaixar aqui. Minha infância não foi totalmente ruim até porque nada é completamente mau e cada fase há seus aprendizados, mas não acho que tenha sido a ideal. A maioria das pessoas suspira ao lembrar de seus tempos infantis e até gostaria de voltar, mas eu, definitivamente, penso que estou melhor onde estou e não voltaria atrás. Fui uma criança bem esquisita e, por isso, um tanto quanto solitária. Claro que tive algumas amizades as quais mantenho até hoje, mas no geral, passava longas horas sozinha, falando com as paredes, esse tipo de coisa. Quando tentava me misturar, o resultado não era bom; eu sempre saia machucada sentimentalmente e frustrada. Pra uma criança, é dez vezes mais difícil lidar com a solidão e com a rejeição. Bom, felizmente, o tempo passa e as coisas mudam e tudo isso ficou no passado, embora restem, claro, algumas consequências dessa época. No geral, pude superar bem tudo isso, mas essa música é um bom retrato do passado. 

I wanna be a bottle blonde 
I don’t know why but I feel conned 
I wanna be an idle teen 
I wish I hadn’t been so clean

I wish I didn’t really kiss 
the mirror when I’m on my own 
oh, god! I’m gonna die alone 
it didn’t make sense 
a little loss of innocence
the ugly years of being a fool 
ain’t youth meant to be beautiful?

Ser saudável pode ser gostoso.

 

 Há cerca de um ano atrás, de modo até que bem brusco, tomei a decisão de uma reeducação alimentar. Tenho que ser sincera e admitir que quis isso mais pra buscar uma estética melhor do que qualquer outra coisa, mas acabou que nessa jornada, me descobri totalmente apaixonada pela alimentação natural e pelas mudanças que em mim ocorreram graças à ela. Passei a ficar mais disposta, mais leve, até mesmo mais produtiva. Minhas espinhas praticamente sumiram, meu cabelo cresce mais forte e, claro, há também os benefícios estéticos. Enfim! Passei a cozinhar e descobrir muitas receitas que podem ser feitas com ingredientes muito bons, de forma rápida, prática e barata, e decidi compartilhar as minhas preferidas com vocês, já que nunca falei de coisas do tipo por aqui. 

Mousse de abacate com banana:
Essa é, definitivamente, a melhor de todas. Basicamente, bata no liquidificador 1/2 abacate médio, 1 banana média e 2 colheres de sopa cheias de leite em pó. Coloque com um pouquinho de água (pouco mesmo!). Deixe no congelador por um tempo e pronto! Fica muito cremoso e docinho. Eu juro pra vocês que fica muito bom mesmo, sério. Com essa mesma receita, você pode fazer também um picolé: basta deixar no congelador por umas 12h. Adoce caso ache necessário e com o que preferir.

Pão de queijo rápido: 
2 ovos, 2 colheres rasas de polvilho (pode ser doce ou azedo) ou tapioca, duas colheres de sopa de leite, queijo ralado à gosto e pedaços do queijo que preferir. Misture tudo bem e adicione duas colheres de sopa de água. Distribua em forminhas.. Ele pode ser feito de algumas maneiras: 
1- Assar no forno ou na air fryer, à 180º até dourar. Pra mim, é assim que fica mais gostoso! 
2 - Levar à uma frigideira untada em fogo baixo, esperar firmar em cima e virar para dourar o outro lado. Fica como uma panqueca, mas continua maravilhoso, com gosto e textura de pão de queijo. 
3 - Colocar no microondas por cerca de 2 minutos e 30 segundos. Assim fica bom, mas acho as duas outras alternativas muito melhores! Assim corre o risco de ficar borrachudo se passar muito tempo, então cuidado.

"Lasanha" de beringela/abobrinha:
Corte 2 berinjelas em fatias horizontais e as ponha em uma assadeira, do jeito mais alinhado possível. Cubra com bastante molho ou extrato de tomate e depois cubra com queijo. Tempere com sal e pimenta. Repita até que a berinjela acabe. Leve ao forno à 160° por cerca de 30 minutos e pronto! Dá pra fazer o mesmo usando abobrinha italiana ou usando as duas, fica bom igual.

Bolinhas salgadas:
Bata no liquidificador: batata bem cozida e molinha (podendo ser a inglesa ou doce, mas prefiro com a inglesa) cozida, frango cozido e desfiado ou carne moída já cozida, temperos e um fio de azeite. Para cada batata pequena, use 2 colheres de carne. Enrole bolinhas com as mãos, recheie com um cubo de queijo (cuidado com a quantidade pra não vazar) e leve ao forno  ou air fryer por cerca de 20 minutos à 200°. Fica maravilhoso, juro.

Bolo de banana com iogurte: 
Eu subestimei muito esse bolo antes de fazê-lo, mas no fim das contas, ele fica muito gostoso. 1/2 xícara de farelo de aveia, 1/2 xícara de farinha de amendoim, 1 pote de iorgute natural,  2 ovos + 1 clara, 3 bananas médias, 1/4 de xícara de mel. Primeiro, bata no liquidificador ou na batedeira os ovos, iogurte e o mel. Depois ponha junto a farinha e 2 bananas (reserve a terceira) e em seguida, 1 colher de chá de fermento químico. Por fim, leve a uma forma untada. Costumo jogar por cima oleaginosas (castanhas, amêndoas, macadâmia, avelã, amendoim, etc) ou granola, mas é opcional. Deixe no forno médio por 35 minutos.

Uma intrusa.

Há dias que não há lugar que me acolha. Estranho a tudo e tudo me estranha; nada compreendo, nada me cabe. Tudo aperta, machuca, amassa meu corpo. Não há calma que se encontre. Falta espaço para mim neste planeta; vim por erro, ledo engano! Este mundo não me quer; culpa minha. Mande-me à júpiter, à qualquer terra desabitada, ao raio que me parta. Não sou boa, não sou nada. Uma carcaça preenchida por defeitos e desgostos, minúscula como areia, mesquinha e dispensável como um apêndice. A consciência de ser desnecessária arrebata-me em solidão. Desconstruo-me e remonto-me incontáveis vezes; nenhuma delas conserta o infortúnio de minha existência.

05h00 AM

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 A luz vem tímida, dando à cúpula roxa do céu pinceladas de uma claridade rosada. A noite é uma respeitosa e charmosíssima idosa e a manhã, uma criança graciosa. A sábia velhice da noite cede, lenta e lindamente, à jovialidade fresca da manhã; os galos e pássaros anunciam com entusiasmo o dia recém nascido. O ar cheira à sol; um perfume que mescla todos os quatro elementos numa união tão harmoniosa que envolve, abraça e sussurra: é tempo de recomeçar. Posso jurar que ouço essas exatas palavras ao pé do ouvido, numa voz morna e maternal, tão maternal como só a terra — mãe de todos — pode ser. Tão hipnotizada neste enleio, mal percebo a partida silenciosa da escuridão: dou por mim e já fez-se plena luz. Respiro e inspiro tamanha calma que torno-me inteira mansa; minha pele faz-se folha e alimento-me da pureza solar. O amanhecer traz consigo uma paz única; ensina a ser. Tem em si esse sentimento de (re)nascimento tão único; derrama vida sobre a vida.

Cansaço.

Conecto-me tão agudamente a tudo que me cerca que esta tonelada de sentimento faz pesar meu corpo. Desequilibro entre pensamentos doidos e doídos, afogo-me em mim. Há um cansaço que sequer posso pôr em palavras, tampouco entendo de onde vem; enfraquece-me os ossos, desnorteia-me a mente. Ser dói. Ocupar um lugar no tempo e no espaço é uma tarefa pesada, e eu, minúscula que sou, nenhuma estrutura tenho para esta carga. São tantas dores, instintos, imagens, pessoas, sons, amores;  tão rápido, inalcançável!; ainda não pude compreender — e temo nunca o fazer.

Sobre a vida.

eu quero estar aqui,
mas é tão difícil.

(ser dói)

Felicidade.

 

Por vezes, paira ante meus olhos uma lente tão clara que faz-me ver tudo com brilho imenso. Um amor tão profundo — por nada e por tudo — me possui e esquenta este corpo. Posso ver as cores do momento flutuantes no espaço; quase, quase compreendo a vida. Tudo faz-se tão belo, tão quente, tão tenro que desejo agarrar o mundo num abraço de perdão. Essa mansidão inopinada surge como surpresa e vai-se tão rápida quanto vem; ainda assim, nestas horas encaro o que chamo de felicidade. 

Confissão III

Memórias vêm, pulsantes e incontroláveis, pesam quilos de chumbo e me levam à uma triste euforia. Dói tua ausência. Descobri com a divisão de nossos seres uma aflição tão indigesta, indelével e retorcida, desconhecida ao meu coração, sequer sei de quê chamá-la; sei somente o quanto arde esse pesar. 

O peso morto do amor cai sobre o peito e cessa-me o fôlego. A escuridão vertiginosa da saudade faz-me louca. Deliro que ainda te pertenço, fantasio palavras e encontros, imagens e histórias; tudo se desfaz à lembrança cruel da realidade.

Confissão II

E tua falta faz-se já presente em meu peito que sangra. Ainda sinto a pele quente sobre a minha; boca e olhos, barba e mãos, língua e dentes: tudo faz-se vivo, real como esta dor que lateja e seda meu corpo. Delírio, chego a te sentir; desfilas ante meus olhos fatigados. As constelações que me ensinaste trazem-me cruelmente as pintas que mancham como tinta tua pele de ouro. Tuas digitais fizeram-se fixas como meus sinais de nascença — não há tempo que ouse apagar as marcas que deixaste em mim. Perco-me sem tua voz; busca-me aqui, resgata-me de mim. Dói. Arde como o mais profundo dos infernos aceitar o fim. Há pedaços de você em cada parte do meu ser; como esquecer se te vejo em mim?

Bulímica.

 As palavras embaralham-se, fogem, as sinto escondidas no estômago, causam-me ânsia. As arranco num vômito compulsivo; é vão. Saem já mortas de sentido.

Confissão I

Amo-te de dentro para fora, de fora para dentro, de maneiras que o próprio amor desconhece e esquece.

Futuro.

 Possibilidades correm lépidas ante meus olhos fechados; tento as pegar com as mãos, escapam. Vislumbro todos os meus caminhos: tanto me excitam quanto desatinam. Recalculo rotas, divago probabilidades, confundo a mim mesma entre tantas possibilidades; no fim dos cálculos, volto ao zero. Flutuo sem respostas; como listar meus desejos, se a cada segundo assisto ao nascer de um novo anseio? Nenhuma possibilidade nego; a todos os "talvez..." me apego. O futuro me causa loucura; pensar no amanhã me dispara o peito. Não me perguntes, por favor. Sequer sei sobre mim hoje, meu senhor, como o direi o que serei nos dias que vêm? 

Se eu te perguntasse...

Magic potion
- Personal work -

 Já faz um tempo que vi essa tag no blog da Helen (inclusive, visitem; é um blog muito bom) e esses dias, lembrei-me dela e eu, que adoro tags vivo falando isso, fiquei com vontade de também responder. Então, lá vamos nós. 


1- Você tem alguma mania? Quais?
Tenho várias, mas não percebo nenhuma, só quando os outros comentam. Espremer os olhos quando não entendo alguma explicação ou texto, contrair os lábios, entre outras que não lembro.

2- Você cumprimenta estranhos na rua?
Depende; já tive mais esse costume. Ultimamente tenho o feito menos por receio, mas é algo que gosto, acho que melhora o dia (tanto o meu quanto o de alguém).

3- Quem faz os serviços domésticos na sua casa?
É dividido. Mas quem mais faz é minha avó, talvez pelo fato de passar mais tempo em casa.

4- Você acha que às vezes acaba comprando produtos necessidade?
Já fiz muito isso, mas hoje me policio demais em relação a isso e não acontece mais. Inclusive, acho que às vezes deixo de comprar coisas que preciso de fato por medo de ser demais.

5- Você fuma?
Talvez às vezes.

6- Quantas pessoas moram na mesma casa que você?
Além de mim, mais três pessoas.

7- Você tem medo de envelhecer?
Não de envelhecer em si, mas tenho certo receio do futuro.

8- Você usa maquiagem vencida?
Partindo do ponto que nunca paro pra analisar a data das maquiagens, provavelmente sim.

9- Qual é a sua prioridade de vida?
Buscar minha melhor versão em tudo o que faço.

10- Você joga lixo na rua?
Evito ao máximo, mas infelizmente acontece.

11- Você esta lendo algum livro? Qual?
Atualmente, estou lendo pela milésima vez Dom Casmurro, Machado de Assis.

12- Com que frequência você faz as unhas?
Fazer as unhas de fato, acho que uma vez ao ano e olhe lá. Pintar/cortar, basicamente toda semana.

13- Você usa algum hidratante para o rosto?
Não, só algumas máscaras.

14- Quais os itens de maquiagem você usa no seu dia-a-dia?
Não tem nenhum item que eu use diariamente.

15- Qual câmera você usa para gravar seus videos?
Não sou muito de gravar vídeos, mas na maior parte das vezes, a do meu celular mesmo ou a da minha semi-profissional.

16- Qual é seu cheiro agora?
Nenhum além do meu próprio.

17- Você acha que os produtos caros são os melhores?
Nem sempre. Há coisas num presso mais acessível que são muito boas também.

18- Ao sair de um supermercado, você percebe que a caixa lhe deu R$50,00 a mais no troco. Você volta e devolve o dinheiro?
Claro. Nunca mais dormiria em paz caso contrário.

19- No ônibus ou na fila do banco, você dá lugar para os idosos?
Sim, na enorme maioria das vezes, exceto quando estou realmente exausta e ainda assim fico me sentindo muito culpada.

20- Você é uma pessoa sociável?
Acho que sim, penso que não.

21- Seu celular esta sempre com créditos?
Aqueles planos mensais contam como crédito? Se sim, sim.

22- Caso fosse fazer uma cirurgia plástica, o que você mudaria?
Nariz e lipo. Mentira, não teria coragem de mudar nada; com certeza me arrependeria. Prezo pela naturalidade das coisas.

23- Sua melhor amiga está sendo traída pelo marido ou pelo namorado. Você contaria se soubesse?
Eu não conseguiria guardar isso pra mim de forma alguma, certamente falaria.

24- Você comete algum dos pecados capitais? Quais?
Todos eles em momentos diferentes.

25- Você é feliz?
Considero a felicidade um estado e não algo fixo. Mas tenho, sim, muitos momentos felizes e me considero uma pessoa sortuda pelas coisas que tenho, apesar dos pesares.

26- Você é uma pessoa vingativa?
Vingativa, não. Rancorosa, um pouco.

27- Já se sentiu evitado por uma ou mais pessoas?
O tempo inteiro. Nunca sei se é real ou neurose.

28- Você acredita que as pessoas mudam?
Com certeza. O tempo inteiro, por toda a vida.

29-Você gosta de ser visitado com que frequência?
Gosto sim. Sinto-me querida. Mas devo admitir que visitas longuíssimas acabam sendo inconvenientes.

30- Tem gente que diz que o Youtube é coisa de gente de que não tem o que fazer. O que você acha disso?
De certa forma, sim, porque pra você precisa de tempo livre pra depositar ali. Mas não deixa de ser uma plataforma muito útil, interessante e que entretém bastante.

Versos livres

 Falta-me a rima e a métrica dos bons poetas. A paciência parnasiana não me fora dada; destas obtusas mãos, a arte que sai é inteira errada. Apego-me à prosa torta, letras desnaturadas que dançam ao som duma orquestra anárquica e estrondosa. Neste louco bailar, descubro algo em mim. As palavras escrevem-me, dão-me o sentido; não as escolho, elas nascem por si.

Infinita madrugada.

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 É o demônio da insônia que estala minha mente e torna inquieta a madrugada. A ânsia pelo amanhã tira-me a paz — mas por quê? 

 Estes fantasmas vêm ao meu encontro mas não entregam-me nomes: não vejo seus rostos, só sinto o ruir de sua chegada.

Carta ao perdido.

gosh:
“by Carlos Bracho
” 

 Os antídotos e venenos correm em teu próprio sangue. O único ser humano com o poder de curar-te é encontrado no espelho; é também o único que o envenena. Encara com fervor aqueles olhos; reconhece esse espírito. O conhecimento de si cria uma armadura de diamante; traz claridade aos sentidos, afia o instinto. Continuará buscando em vão a solução enquanto não olhar para dentro: todas as respostas estão dentro de si. 

Clarice.

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 Comprei a obra Todos os Contos em algum momento de fevereiro, mas só pus-me a ler em março. Como pode-se imaginar pelo título, o livro reúne os contos escritos por Clarice Lispector. Tem 656 páginas e 85 contos, divididos cronologicamente nas seguintes partes: Primeiras Histórias, Laços de Família, A Legião Estrangeira, Felicidade Clandestina, Onde Estivestes de Noite, A Via Crucis do Corpo, Visão do Esplendor e, por fim, Últimas Histórias. 
 Achei que levaria mais tempo para o ler inteiro, mas consegui terminá-lo semana passada, em mais ou menos dois meses. 
 Há tempos planejava ler Clarice, e, inclusive, já havia começado com o livro Perto do Coração Selvagem (cujo não terminei por alguns motivos, mas achei encantador e relerei com toda certeza). Quando tive a oportunidade de adquirir Todos os Contos, fiquei muito feliz: passei horas admirando o livro em repouso sob as prateleiras.
 Foi uma experiência incrível. Talvez pelo fato de eu já admirar muito sua escrita e sua pessoa eu tenha me deslumbrado tanto, mas o fato é que imergi totalmente em cada conto, do começo ao fim. Os enredos me instigavam, sempre cheios de uma subjetividade intrigante e viciante. Todos os dias devorava pelo menos um pouco do livro. É sempre muito sinestésico: a descrição te coloca junto dos personagens e te faz experimentar as sensações também, e eu não posso explicar o quanto eu adoro quando uma obra sendo filme ou livro consegue puxar-me para dentro da história. 
 Outra coisa muito interessante foi poder analisar com clareza as nuances da escrita de Clarice ao longo dos tempos, já que há contos de sua adolescência até os últimos escritos por ela. Os assuntos também são dos mais diversos, sempre tratados com tanto esplendor e escritos com tanta maestria, sempre cheios de emoção.
 Não há muitas palavras para definir Clarice: se você já a leu, deve compreender. Também é muito difícil escrever sobre coisas que muito admiro. Só posso dizer aqui que a obra reúne contos espetaculares de uma autora fantástica, escritos que podem levar-te a um ótimo conforto quanto uma imensa perturbação. 
  Separei os meus contos favoritos dos livros e algumas de suas citações para registrar aqui. ♥



Cartas a Hermengardo

"E nem com isso quero dizer que deixemos de ser animais. Nunca renunciaremos a essa felicidade. O que devemos procurar é que este estado primitivo suba um pouco e que nosso orgulho de raciocinante desça um pouco até que os dois seres que existem em nós se encontrem, se absorvam e formem uma nova espécie na natureza.

"E é por isso que te digo: abandona o que destrói. A paixão destrói porque desassocia. A paixão nasce no coração e não o compreendendo, nós a situamos na alma e nos perturbamos. Eu te explico tudo isto para que nunca enalteças o que vai para a guerra com o espírito contente e o que se mata por amor. Perdoa-os apenas."

"O depois da paixão tem gosto de cigarro apagado." 

"... nós somos a única presença que não nos deixará até a morte."

O Búfalo

"Mas onde, onde encontrar o animal que lhe ensinasse a ter o seu próprio ódio? o ódio que lhe pertencia por direito mas que em dor ela não alcançava? Onde aprender a odiar para não morrer de amor? E com quem?" 

A Pecadora Queimada e os Anjos Harmoniosos

"Quero recuperar meu antigo amor, e depois encher-me de ódio, e depois eu mesmo assasiná-la, e depois adorá-la de novo, e depois jamais esquecê-la, deixai-me só com a pecadora. Quero possuir minha desgraça e minha vingança e minha perda, e vós todos impedis que seja eu o senhor desse incêndio, deixai-me só com a pecadora." 

"Sozinha comigo, ela amaria de novo, de novo pecaria, arrepender-se-ia de novo — e assim num só instante o amor de novo se realizaria, aquele que em si próprio traz seu punhal (...) (Ah, então é verdade que mesmo na felicidade eu já procurava nas lágrimas o gosto prévio da desgraça experimentar)."

Mineirinho

"O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro"

"Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento. Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado."

As águas do mundo

"E era isso o que lhe estava faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora ela está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto. Mergulha de novo, de novo bebe mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é a mante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer."

O relatório da coisa

"Aliás Deus não tem nome; conserva o anonimato perfeito: não há língua que pronuncie o seu nome verdadeiro (...) Mas Ele comete muitos erros. E sabe que os comete. Basta olharmos para nós mesmos que somos um erro grave. Basta ver o modo como nos organizamos em sociedade intrinsecamente, de si para si. Mas um erro Ele não comete: Ele não morre." 

"Acorda, mulher, acorda para ver o que tem que ser visto. É importante estar acordada para ver. Mas é também importante dormir para sonhar com a falta de tempo."

É para lá que eu vou

"À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? Que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo. Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto. Oh, cachorro, cadê tua alma? Está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente. Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós."

Silêncio

"É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Ou neve. Que é muda mas deixa rastro – tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz."

A Bela e a Fera ou a Ferida grande demais

"Toma plena consciência de que até agora fingira que não havia os que passam fome, não falam nenhuma língua e que havia multidões anônimas mendigando para sobreviver. Ela soubera, sim, mas desviara a cabeça e tapara os olhos. Todos, mas todos – sabem e fingem que não sabem. E mesmo que não fingissem, iam ter um mal-estar."

A imitação da rosa

 "Se uma pessoa perfeita do planeta Marte descesse e soubesse que as pessoas da Terra se cansavam e envelheciam, teria pena e espanto. Sem entender jamais o que havia de bom em ser gente, em sentir-se cansada, em diariamente falir" 

Devaneio número x

 

 Só nossos olhos são capazes de abarcar com verossimilhança a realidade. Tão somente o mundo das ideias tem o original e essencial das coisas. Os outros modos — retratos, imagens, palavras — falham tão tristemente na tentativa de reproduzir o que habita tão somente o peito e mente do ser. Possuímos o agora e o que somos. E o que somos transmuta-se tão belamente a cada instante. E talvez seja essa minha dor. Nenhum de meus registros vai trazer o pulsar brilhante do segundo que passou. Meu pecado maior é querer tudo de tudo: anseio o futuro, reverencio o presente, saúdo o passado. 

Ansiedade.

 Pois atormenta-me a ideia da anulação. Há sempre esse temor, sensação eufórica e fatal, impressão de que o tempo foge de minhas mãos. Vontade imensa de viver que faz-me inquieta, deixa-me todo tempo atenta, à procura do melhor dos dias, sedenta pela seiva da vida.

Ardente.

 Deixo que minhas retinas famintas alimentem-se de tua imagem. Chamo-te sem palavras, cravo dentes, rasgo a pele. O hálito alcoólico alimenta minha chama, devoro-te os lábios  —  não nego fogo, incendiar-te-ei. Escancarada, desmedida como sou — é só como sei ser — me entrego inteira e teu tudo é só o que aceito de volta. 

Exposta.

 Aos meus olhos, tudo assusta. Minha pele é carne viva, exposta, sangrenta: tudo arde, tudo inflama. Deixe em paz essa matéria cansada: qualquer dor me parece o fim. Mas tudo bem, eis em mim minha própria salvação: também a qualquer ínfimo ar de amor, revivo.

Alguns filmes de Abril.

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Eu Não Sou Um Homem Fácil
Um machista inveterado prova de seu próprio veneno ao acordar em um mundo dominado por mulheres, onde entra em conflito com uma poderosa escritora.


Quando vi esse filme nos recomendados da Netflix, confesso ter ficado com um pé atrás. É o tipo de filme que ou dá muito certo ou dá muito errado. Felizmente, deu certo. É muito bem executado, tem uma sacada genial e é muito interessante mesmo. O humor é bem inteligente e a trama consegue ser surpreendente. Apesar de ser uma comédia e a primeiro momento você se divertir com as situações, ao momento que para e analisa a seriedade daquilo, traz reflexões muito importantes sobre o quão absurda, ridícula e injusta é o machismo gritante na sociedade que vivemos atualmente, enraizado das mais diversas formas. Definitivamente, deve ser visto. 


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Viva! A Vida É Uma Festa
Apesar de a música ter sido banida há gerações em sua família, Miguel sonha em se tornar um grande músico como seu ídolo, Ernesto de la Cruz. Desesperado para provar o seu talento, Miguel se vê na deslumbrante e pitoresca Terra dos Mortos seguindo uma misteriosa sequência de eventos. Ao longo do caminho ele conhece o trapaceiro encantador Hector, e juntos eles partem em uma jornada extraordinária para descobrir a verdade por trás da história da família de Miguel.



Adoro animações, e essa, definitivamente, arranjou fácil um lugar no meu coração. Assisti Viva com as expectativas altas e ainda assim, foi melhor que pensei. O filme é lindo, não há outra palavra para se usar! É muito belo em todos os aspectos: a história é encantadora e traz uma mensagem poderosa e é muito atrativo aos olhos. Personagens muito bem feitos e cores vivíssimas que te fisgam. O tempo voa e ficamos atentos a tudo que se passa. É o tipo de filme que aquece o peito e te faz dormir sorrindo! 


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Pantera Negra
Pantera Negra acompanha T'Challa que, após os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil, decide voltar para casa - a isolada e tecnologicamente avançada nação africana de Wakanda - e assumir sua função como Rei. Porém, quando um antigo inimigo reaparece, sua coragem é testada quando ele é levado para um conflito que coloca o destino de Wakanda e do mundo em risco.



Estou longe de ser uma grande fã de heróis e devo admitir que fico até perdida nos filmes, mas Pantera Negra me conquistou de uma forma que não imaginaria nunca. Fui ao cinema assisti-lo sem muitas expectativas, somente porque meu amigo estava muito empolgado, mas me peguei totalmente concentrada no filme. A fotografia me encantou completamente, a trilha sonora também deixa tudo mais instigante. Você desenvolve sentimentos pelos personagens e toda história carrega um peso incrível. Ainda está em cartaz em alguns cinemas e recomendo muito, vale o ingresso!


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Guerra Infinita
Homem de Ferro, Thor, Hulk e os Vingadores se unem para combater seu inimigo mais poderoso, o maligno Thanos. Em uma missão para coletar todas as seis pedras infinitas, Thanos planeja usá-las para infligir sua vontade maléfica sobre a realidade.



Como dito acima, não sou muito ligada no mundo dos heróis e esse foi outro filme que fui ao cinema ver só pela animação de terceiros, mas não me arrependi. Antes de entrar na sala de cinema, precisei de praticamente uma aula básica sobre o que sucedeu-se antes com todos os personagens. Enfim, no fim das contas, pude compreender muito bem o filme e achei espetacular. As cenas de ação são ótimas e os atores, impecáveis. Certamente teria gostado ainda mais caso tivesse maior contato com esse universo, mas ainda assim, considerei uma produção muito boa.


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Um Lugar Silencioso

Em uma fazenda nos Estados Unidos, uma família do Meio-Oeste é perseguida por uma entidade fantasmagórica assustadora. Para se protegerem, eles devem permanecer em silêncio absoluto, a qualquer custo, pois o perigo é ativado pela percepção do som.



Esse é o tipo de filme que você assiste tenso do início ao fim. Toda atmosfera é muito bem construída e os sentimentos são muito bem transmitidos: é como se você também estivesse ali, é agoniante. Eu, particularmente, adoro essa sensação meio claustrofóbica ao ver o filme, que deixa você com o coração na boca e quase te mata. A experiência de ver um longa-metragem com tão poucos diálogos é muitíssimo interessante também. Devo dizer que o final não me satisfez tanto, mas ainda assim, o filme merece uma chance. 

Letras falhas.

 Como posso lhe dizer de que são feitas as coisas se em quê consistem e o quê constituem depende tão unicamente de quem as montam? Como colocar em termos o amor, sendo esse um instinto tão multifacetado e único, estrito ao coração que o sente? O que seria a vida, se essa é vista de um milhão de maneiras pelos infinitos seres que esse mundo habitam? Tão vão palavrear coisas indizíveis; parecem-me tão absurdamente melhores quando intangíveis.

Corpo liberto.

 Era belíssima. Sempre fora.

Talvez por esse notável fato, arranjara tão nova inúmeras possibilidades de marido e cedo na vida, juntara-se a um.

Tinha cabelos de um louro escuro, onde, perdidos entre os fios de mel, achavam-se alguns traços brancos que lhe acusavam a idade. Eram os únicos sinais de velhice presentes naquela figura estonteante. Talvez pelo fato de tão pouco alterar a expressão da face, não exibia ruga alguma. Talvez por esconder-se tanto, nenhuma marca lhe manchava a pele naturalmente dourada, lisa como ouro, reluzente como tal. Mantinha-se corada, mesmo sem o sol. Era alta, curvilínea, mas isso passava desapercebido — usava roupas discretas e muito compostas. Tinha também uma inteligência admirável, falava com maestria — mas isso era quase segredo, tão calada era aquela mulher. Frequentara a universidade e por isso, tinha grande conhecimento em economia. Pouco importavam suas qualidades. Eram todas anuladas pelos que a cercavam.

A primeiro momento de vida, fora muito bem guardada por seu pai. Assistia aulas somente em casa, enquanto seu irmão frequentava a escola e voltava cheio de maravilhosas aventuras infantis. Não lhe era permitido amizades, sabia-se lá o que podiam lhe trazer as meninas da vizinhança. A luz da rua lhe causava vertigem por falta de costume. Quando moça, partiu para outra cidade a fim de estudar; ainda assim, não lhe abandonaram suas amarras. Foi com o irmão, cujo apossara-se dela com a mesma dureza ensinada por seu pai. Anos depois, ao retorno à casa, foi logo entregue às mãos estranhas de quem agora seria seu marido. 

Jamais questionara toda essa situação. Ora, é como as coisas devem ser, não? Sempre fora assim. Não conhecia outra realidade, como rejeitaria essa? E assim foi. Por vinte anos muito bem casada. Muito bem guardada e amordaçada. Mas tal condição não lhe doía; era a melhor das condições possíveis, a mais natural das realidades. Constata até que foi, sim, muitíssimo feliz com o que teve. Pois foi só ao se ver totalmente liberta de suas antigas correntes que experimentou o mais desgostoso dos sentimentos.

Agora encarava a própria imagem no enorme espelho do quarto que fora também de seu homem, mas agora pertencia somente a ela. Carregava agora, em contraste com a delicada mão, um par de grossas alianças de viúva. Pensa que aliança como essas já não se fazem. 

Acabara de encarar o marido de olhos fechados e lábios roxos, estirado num caixão envernizado, de uma beleza que a morte não merecia. Não havia mais ditador algum a seguir; o que devia fazer agora? Como seriam as horas desse dia? Estava por si só. Perdida. Não havia com quem concordar. E o que fazer com essa solidão? Essa coisa esquisita que ninguém jamais lhe apresentara. Sua mente divaga entre possibilidades; nenhuma parece tangível. Poucas vezes pudera escolher o que fazer; até mesmo quando pôde, deixou a decisão nas mãos de outro alguém. E agora? Não havia ninguém além de si para ouvir, mas havia desaprendido a falar e agir.

Sem porquê e sem pensar, põe-se a dançar. Por falta do que fazer. Uma música toca só para seus ouvidos — música sem sentido que jamais havia escutado. Abre bem os braços enquanto gira pelo cômodo, esperando ser possuída por sabe-se lá o quê. Tanto gira que tonteia, mas não se importa com isso. Podia fazer o que quisesse! Inclusive gritar. E grita. Porque ninguém levantaria a mão para silencia-lá. Grita e ri e chora também. Chora porque dói essa coisa que chamamos de liberdade. É um oceano azul reluzente, vigoroso e tão lindo; mas de águas profundas que afogam com euforia. E ela sentia todo seu oxigênio ser levado do peito que se contraía. Não soube lidar. Gritou até que a garganta falhasse e dançou até que quebrassem os saltos que ainda vestia. Ainda assim, insatisfeita. Queria mais que isso, pareciam poucas essas sensações; tinha a liberdade, ela deveria ofertar mais. Descalça-se e quebra o espelho, distorcendo sua imagem. Derruba o que pode ver. Ninguém lhe pararia. Corta-se inteira, lambe a pele de sangue, banha-se no calor da vida. Alimentar-me-ei de mim e saberei o que quero. Saberei o que posso. Tudo posso. 

Alguém da vizinhança assustara-se com todo alarde e agora homens adentravam a casa abruptamente, amordaçando-a, prendendo-lhe as mãos. Ela ainda ri. Tão pouco durou este sonho!, pensa, enquanto é levada à normalidade de novas ordens.

Harmonia.


 O vento que me atinge mais se parece com dedos enamorados a correr pelos meus cabelos, acariciando e embaraçando minha alma. O sol queima minha derme clara e limpa-me a mente por belos segundos. Esse céu acalma-me as ânsias da vida. São meio dia de uma sexta feira quente e sorrio ao nada. Há beleza em cada retalho desse lugar.

Rotina.

lately 

 O cansaço de ser deixa-me de mãos atadas, boca calada. Minhas palavras me são roubadas. As letras fogem, falham, dissipam ante meus olhos. A mente escurece. Sinto sem remédio o peso de um corpo estático no vazio. Toneladas invisíveis puxam-me abaixo.

 Há dias que sequer a poesia consegue vencer.

O jeito certo de comer chocolate.

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 Chocolate é, definitivamente, uma das maiores maravilhas do mundo. É incrível como pode ser tão bom e acho muito difícil encontrar alguém que diga o contrário o que prova ainda mais a sua maravilhosidade
 Um dia, alguém me deu quase um tutorial de como comer chocolate e tornar a experiência ainda melhor. Acho triste que não me lembre quem me ensinou, porque achei algo maravilhoso — tanto que decidi compartilhar isso. 

 1 - Feche os olhos 
 2 - Sinta o cheiro com calma. 
 3 - Coloque na boca, mas não mastigue. 
 4 - Deixe que derreta aos poucos e sinta o sabor com atenção. 
 5 - Só quando estiver quase desfeito, mastigue e engula. Fim.

 Há uma grande chance de que achem isso tudo um processo desnecessário e meio louco pra o simples ato de provar um chocolatinho, mas juro, a coisa toda é quase terapêutica e também, as pessoas fazem quase a mesma coisa ao degustar vinho, então... Sugiro que experimentem. ♥

Dicionário.

 Há um charme infindo nas frases quebradas. Soam-me mais concretas. Eu quero. Eu sinto. Quer o quê? Sente o quê?

 Não sei. Os meus anseios não têm nome algum — e assim mesmo prefiro que sejam eles: gentios. O que sinto é sempre indizível. Flutua. Fogo forasteiro.

 As palavras ardem como punhais afiados porque as criamos tão pesadas. Ainda assim, falham. Falham porque são humanas. A palavra é humana. Pecaminosa é essa tendência prepotente de de encolher-se em termos. Nomear o que é torna-se missão falível pelo significado que as coisas carregam — sentidos tão maiores que letras. Maiores que o mundo.

Corpo e alma.

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 Certo assombro reveste o momento em que meus olhos atingem o reflexo no espelho. Tanto tempo imersa no intangível e invisível do meu ser que minha imagem me foge à lembrança. Os dias passam sem que eu tenha noção do externo de mim; espanto-me ao repentinamente cruzar olhares com a ossada que carrego pelo mundo.
 Jamais seria capaz de expressar o que há em minha própria imagem que tanto tonteia. Toco, olho e sinto toda a estrutura que me acolhe. Vivo e existo; que outro fato poderia ocorrer mais milagroso? Todo o susto muta-se devagar em imensa compreensão. Olho no fundo dos olhos daquela criatura e descubro ali um amor narciso; fico muda a todo o resto. Unem-se corpo e alma; termina o dia em vibrante harmonia. 

Errante.

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 O mundo arde em beleza, mas sinto-me um erro grave. Não me alinho, não me encaixo. Um gosto amargo persegue-me a boca; sabor de insatisfação. Ah! Que qualquer delírio faça-me compreender. Que qualquer coisa me leve longe. Mas não pela eternidade — há em mim cega veneração pelo universo que me cerca; amor tamanho que me impede pedir egresso. Qualquer coisa rápida como um soco que me dê clareza aos atos. Um entendimento mínimo que faça-me suficiente a mim. Pelo menos a mim.

25. Uma música de um artista que não está mais vivo

Esse é o sétimo post do 30 music challenge. Clique aqui e veja meus outros posts do projeto. ♥ 


 Essa música me traz um sentimento que não sei bem descrever. Uma certa felicidade triste, uma tristeza esperançosa. Gostaria de lembrar quando a ouvi pela primeira vez, mas não me recordo. Sempre fico encantada quando a ouço como trilha sonora de algum filme. Eu adoro David Bowie e as suas músicas sempre me fazem muito bem, tanto que quando ele faleceu, eu fiquei bastante entristecida com a notícia. Ele foi um grande símbolo de sua época, um artista incrível e muito único. Acabei me aprofundando (e me apaixonando ainda mais) nas suas obras depois de sua morte e acho isso uma pena, mas tudo bem... Isso não me impede de gostar demais do seu trabalho. 

and I'm floating in the most peculiar way 
and the stars look very different today 
for here am I sitting in a tin can 
far above the world 
planet earth is blue, 
and there's nothing I can do.

Liebster Award

 A Caroline do Controvérsias (blog que eu gosto muito e recomendo, inclusive) esses dias me indicou pra tag Liebster Award. Eu sou a louca das tags e essa particularmente é muito bacana. É um ótimo jeito de deixar mais sobre você no blog, além disso, é bem legal de responder (:

 A tag consiste em:

• Escrever 11 fatos sobre mim
• Responder às perguntas de quem o indicou
• Escrever 11 perguntas para os futuros indicados
• Indicar entre 11 a 20 blogs com menos de 200 seguidores
• Colocar o selo da TAG LIEBSTER AWARD
• Indicar os links de quem indicar.

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11 fatos sobre mim.

1. Sou apaixonada por livros, poemas, textos... Literatura em geral.
2. Justamente pelo fato acima, pretendo cursar Letras.
3. Gosto muito de fotografar, mesmo fazendo isso de forma bem amadora.
4. Tenho duas tatuagens: uma frase do velho Bukowski, nas costas, e um pequeno ramo de flores com a lua, na lateral da panturrilha.
5. Gosto muito de estudar sobre praticamente tudo e qualquer coisa.
6. A única exceção do fato acima são os infernais números. Sou realmente péssima com exatas e usar meu tempo com qualquer coisa relacionada a cálculo me tira do sério e me estressa demais.
7. Não consigo escolher coisas favoritas (cor, banda, livro, autor, comida...)
8. Namoro há pouco mais de dois anos.
9. Fico neurótica facilmente com qualquer coisa e essa é uma característica que me fode completamente.
10. Sou meio Bela Gil em relação à comida (gosto de seguir uma linha mais natureba)
11. É muito fácil me agradar e me fazer feliz. Dificilmente algo me irrita.


As 11 perguntas da Caroline. 

1. Se pudesse escolher um livro ou um filme para contar a história da sua vida, qual seria? 
Certamente alguma obra de Clarice Lispector, mas é impossível decidir-me qual.

2. Você tem alguma filosofia de vida? Qual?
Carpe diem, quam minimum credula postero (ou no português, "aproveite o dia e confie o mínimo possível no amanhã"). Gosto de preencher cada hora com coisas que sei que me acrescentam em algo e fazer sempre o máximo; o fato de não aproveitar o tempo ou algum momento específico deixa-me incomodada.

3. Um momento que marcou a sua vida foi: 
O término do meu primeiro relacionamento sério. Definitivamente foi um divisor de águas na minha vida.

4. Por que você tem um blog? 
Já devo ter dito algumas vezes que escrever é minha melhor terapia e faz-me muito bem escrever aqui, divagar livremente do trivial do meu cotidiano até as mais complexas e problemáticas questões. Também gosto muito acompanhar outros blogs, que sempre me apresentam coisas novas e novos pontos de vista.

5. Quem é sua maior inspiração? 
Há bastante gente que me inspira bastante em diversos aspectos, mas meus pais são sempre onde me espelho.

6. Você é uma morning person ou uma night person
Morning person. Depende do dia, mas quase sempre funciono muito melhor pela tarde.

7. Qual seu filme favorito? 
Impossível dizer! Mas colocarei aqui Clube dos Cinco, que vivo revendo e muito me marcou.

8. O que sempre te deixa animado(a)? 
Muita coisa. Passar tempo com pessoas queridas, comer algo diferente, cozinhar, sair pra qualquer lugar, beijos, abraços, fazer alguém feliz, fotografar, escrever, receber demonstrações de afeto, me arrumar...

9. Doce ou salgado? 
Tenho fases, mas atualmente tenho preferido salgado.

10. Um país da América Latina para conhecer ou morar: 
Eu adoraria conhecer o Chile.

11. Qual a lição mais importante que você já aprendeu com a blogosfera? 


Minhas perguntas.

1. Qual seu chocolate favorito?
2. Qual o último sonho que teve dormindo? 
3. Você gostaria de ser imortal?
4. Preferiria ter um filho ou uma filha?
5. Acredita em reencarnação? 
6. Mudaria o seu nome? Se sim, qual escolheria?
7. Há alguma música que considere "sua música"?
8. Quando criança, o que queria ser quando crescesse?
9. Qual seu número da sorte/favorito?
10. Se pudesse escolher em que época da história viver, qual escolheria?
11. Atualmente, qual o maior objetivo da sua vida?


Os blogs que indico pra responder

Falha.

 Minha derrota é o fim do dia. Mesmo quando as manhãs acolhem-me e as tardes são cheias de calma aparência. Mesmo que o amor cerque-me caloroso, mesmo que as horas sejam inteiras de alto riso. O anoitecer leva consigo também a minha luz interna e deito-me tão torpe e só, envolvida numa solidão anacrônica e sem nome, que surge sem porquê e torna minha aura escura. Deliro em ressentimentos enquanto a noite corre. Nada resta ao meu lado senão uma esquecida tristeza, fatal punhal fincado em meu peito no momento de minha gênese; sentimento mais antigo que eu, parece ter escolhido fazer-me de lar.

Joguinhos aleatórios.

 Imagem de simpsons, school, and the simpsons

 Em um post sobre coisas que faço para aquietar a ansiedade, coloquei num dos tópicos os joguinhos bobos de celular, que  acalmam pelo simples fato de distraírem. Decidi listar algum dos que tenho baixado no telefone, que são meus maiores e melhores companheiros nos momentos de tédio e espera!

Little Alchemy: Nesse jogo, o objetivo é você criar todo tipo de coisa, tendo como bases iniciais os 4 elementos. Você vai os juntando e formando algo novo, e com as coisas criadas, pode criar outras e outras e outras... São 580 possíveis resultados e eu juro, é muito viciante. E o melhor: você pode jogá-lo online aqui ou baixar no celular, nesse link aqui. Pra quem quiser, tem alguns cheats com as combinações e resultados aqui.

Magic Touch: "Você controla um poderoso mago encarregado de defender seu castelo. Felizmente, seus inimigos descem lentamente de cima em balões. Os balões explodem quando os feitiços corretos são usados. Para lançar um feitiço no Magic Touch, você só tem de desenhar o glifo correspondente na tela. Portanto, se um balão está caindo em linha reta, você só tem de desenhar uma linha reta na tela de seu Android para fazer com que ele rebente." Peguei a descrição na internet porque não conseguiria explicar o jogo. Ele começa fácil e vai se tornando cada vez mais complicado e rápido. Sou muito viciadinha nesse aqui, é minha melhor companhia nas aulas tediosas!

Aquavias: Esse aqui é como um quebra-cabeça, onde você terá que organizar e conectar as pontes de água num tempo determinado, levando água à cidade. Parece bem simples e eu pensei isso quando comecei, mas não mesmo! Que jogo demoníaco dos infernos. Até mesmo as primeiras fases são bem complicadinhas e você fica presa naquilo por um bom tempo. Admito: te faz passar uma boa raiva, mas é viciante e sensacional quando você consegue, enfim, resolver o problema. 

Nostálgico ser.

 Guardo minhas memórias como quem esconde ouro maciço — até o que flagela-me o peito faz parte de meu tesouro. Acumulo momentos como uma obsessiva; não há nada de que eu me livre. A nostalgia me enche os pulmões, esquenta minha pele. Assisto ao passado detrás de olhos fechados com a graça de quem vê a obra prima do século. Tudo vivo para lembrar depois; eu não quero esquecer.

 Que não apaguem os deuses do tempo, tão ásperos, as reminiscências que mantenho em mim intrínsecas, cheias de um insólito zelo; tudo que foi serve-me de essencial matéria. Esses retalhos montam o que sou. 

Fuego.


 Ávida pelo toque, desejos assombram minha longa madrugada, lembranças mantêm meus olhos abertos, espertos. Instintos cegam-me, guiam-me, irredutíveis como os de um animal em caça — e não é mesmo isso que sou?
 Os lençóis contam-me delirantes histórias. Esta cama fora marcada pelo mais doce dos pecados. Entre lábios secos, teu nome escapa-me, foge de minha garganta. Tateio no escuro. Enganada pela sede infinita, como um oasis no vil deserto, surge-me tua imagem, atrativa como uma chama. Ama-me como um pagão, incendeia-me como o inferno. Dissolve-me entre úmidos lábios, torture-me os sentidos. Fira-me de prazer, marque-me por loucura. Beija-me com as mãos, toque-me com os olhos, mate-me por amor. Venha fugaz, sedento, faminto feito bicho. Leve consigo meu calor. Aproveite-me por inteiro; não deixe uma sobrar um centímetro de mim. 

O Presente

 Seria como um inusitado presente de Natal, exceto pelo fato que, àquele momento do ano, já esperavam todos pela Páscoa. Fora recebido pela mais jovem fêmea que habitava o envelhecido e grandioso casarão avermelhado. Numa cesta, olhos infantis e acanhados miravam-na, cheios de uma curiosidade medrosa. Um rosto pequenino, róseo como se o houvessem zangado — impressão apenas; estava no mundo há tão pouco tempo para conhecer sequer a menor das irritações. Envolvia-se num manto acinzentado como o dia que partia, as mãos em miniatura cobertas por luvas que lhe sobravam. Mexia os membros sem sentido algum; não havia mesmo qualquer outro movimento que conhecesse. 

  A moça, ao olhar ao chão e deparar-se com a surpresa, paralisa-se por inteiro. Seus lábios murmuram um "oh!" que exala tanto o susto quanto a ternura que envolvem seu coração ao avistar aquele ser extraviado. Leva as mãos delicadas ao peito com indignação. Quem seria capaz de negligenciar tal pequenice? Tornava-se poderoso justamente por exibir tal fragilidade. Ali estava, pequenino, pigmeu, à mercê de sua bondade. Rendeu-se por ser abordada por tamanha vulnerabilidade. Bem sabia o que o surgimento daquela criatura significava. Os olhos redondos e esverdeados não paravam de fitá-la; davam luz à algo dentro da mulher. Mesmo nova, mesmo inexata, viu surgir dentro de si o instinto maternal, esse sentimento tão natural aos seres femininos. Ela encara a rua: vazia. O céu que cobria a rua perdia cada vez mais a clareza; já se viam pontos brilhantes destacando-se no entardecer pálido. Um vento fraco sopra seu rosto e ela percebe seu corpo tremer; não sabe se por frio, não sabe se por ansiedade. Oh, céus. O que deveria fazer?

 Olha para trás com discrição, observando com rapidez as outras mulheres que ali viviam. O que diriam suas bocas no momento que vissem adentrar a casa aquele pequeno corpo, ignoto e fragilizado? Sabia que eram boas, apesar de... Bom, eram boas à suas próprias maneiras. Haviam de sentir o mesmo quando olhassem nos úmidos olhos daquela criança. Afinal, qual outra escolha teriam? A grandiosidade daquele ser minúsculo havia de as constranger também. 

 Pareceu-lhe que séculos se passaram em tamanho impasse — outra errônea impressão; não havia sequer cinco minutos que deparara-se com a nova pessoa. Respira fundo e num ato ágil, como quem rouba diamantes, põe em seus braços inexperientes aquele corpo necessitado. Pressiona-o para junto de si. "Oh, querido, está tudo bem agora", sussurra como se o pequeno algo queixasse. Agora os olhares brilhantes se encontram bem próximos. A moça sorri e dá um passo para frente, simplesmente assim voltando ao corredor. Fecha a porta e caminha de volta à sala, sem tirar por sequer um milésimo de segundo os olhos daquela silenciosa criatura. Não chora, não ri, tampouco diz qualquer coisa. Qual será sua voz quando falar?  A jovem infla-se de tantas expectativas. Poucos minutos naquela presença e já pora-se a sonhar; seus pensamentos flutuavam tão distante que sequer se deu conta de que já encontrava-se na sala, com todas as outras companheiras a encarando, mudas.

 Nenhuma delas tinha coragem de emitir sequer um som. Pensavam que a mais nova estava louca; pelo deslumbramento da mocidade, não compreendia o que significava aquele inconveniente presente — de fato, encantador; mas ainda assim problemático. Olhavam-se, como se indagassem uma as outras. Encaravam-se, encaravam o novato, encaravam a garota. E agora? 

 Uma que acabava de voltar de um dos cômodos avistara a cena e parara no meio do corredor, tamanha a confusão mental. Eram, ao todo, nove mulheres. Algumas levavam a mão ao coração, tentando em vão acalmá-lo; outras tapavam a boca entreaberta. Todas tinham os olhos arregalados. E agora? 

— O que faremos? — indaga a que carrega a novidade no colo, com a mesma coragem que tivera para tirá-lo do frio do chão. Sua voz é falha e soa estranhamente infantil; ainda assim, está dos pés à cabeça, inteira tomada por coragem.
A cafetina dali levanta-se, com disfarçada impaciência. Devia estar nos cinqüenta e tantos de idade, ainda assim, era uma bela ruiva. Um cigarro pende entre os dedos da mão direita. Estreita os olhos maduros, olhando para os dois mais novos. Sente um pouco de raiva — sabe-se lá o porquê. Descarta o fumo em um cinzeiro próximo e aproxima-se, tendo agora olhos fixos no bebê. Ele a olha de volta com toda a doçura  que há; nesse momento, é melhor das criaturas que já respiraram o ar deste planeta. É só que basta para apagar todo o desconforto e despertar-lhe imenso amor. 

 Enquanto isso, quem o carrega nos braços segue hipnotizada; sequer ofende-se quando aqueles olhos novatos passam a encarar a outra mulher. Continua embebida em ternura, e por isso, assusta-se quando seu querido é tirado de seus braços. Agora, quem o carrega é a ruiva; incrivelmente, parece dotar-se do exato mesmo sentimento de necessidade por aquela alma tão limpa. Vieram à tona a mágoa do ventre que jamais parira, o desejo da maternidade, a solidão de se ter muitos. E beijava-lhe o rosto a possibilidade de reverter tão furtivamente essa realidade. Afaga a criatura com melancólica amabilidade e, mesmo sem emitir uma palavra, as outras entendem o que significa: aquele ali ficaria. 

 Seus ermos corações envaidecem de uma apreensão jubilosa; era loucura acatar aqui uma criança, mas que coisa poderiam fazer? Ali estava, dali seria. E isso as prometia uma imensurável felicidade. Cegas de egoísmo, cada uma deseja o pequenino como se houvesse saído de seu ventre. Aproximam-se, venerando o menino como Jesus, rodeando-lhe de um amor súbito e palpitante. Estabelece-se um paradoxo — e elas o ignoram completamente. Contrariando todas as possíveis leis regentes, tornaram-se ali, sim: mães e meretrizes.

Sobre dias proveitosos e uma playlist

 Pude aproveitar maravilhosamente bem esse feriado, fazendo de tudo que me apetece. Essas pausas são quase como um carinho na alma, um presente da rotina (só me entristece o fato de não durarem mais, mas acho que posso lidar com isso). Me sinto muito bem quando tenho uma série de dias gostosos, uma gratidão suave me invade. Não houve nada demais nos eventos: saí para resolver umas coisas com minha mãe — e mesmo que não houvesse nada de especial no passeio, é bom passar um tempo com ela —, assisti algumas coisas junto a ela, aproveitei minha própria companhia e fiz vários nadas sozinha, vi meu pai depois de duas semanas sem encontrá-lo, comi coisas gostosas na páscoa, ganhei chocolate... Enfim, apesar de terem sido dias calmos e muito simples, aqueceram meu coração. Além de tudo, dia primeiro — mesmo dia da páscoa — completei dois anos com meu namorado. É uma loucura como o tempo age. Ao mesmo tempo que parecem séculos, também parece ter sido ontem. É incrível construir algo tão bonito com alguém. O tempo vivido junto pesa como quilos de chumbo. Essas datas assustam de uma forma boa e lembram da magnitude das relações. Enfim, aproveitamos bem à nossa maneira. 

 Ultimamente, tenho estado tão enjoada das minhas músicas. Na verdade, não ultimamente: tem bem uns meses que isso tem rolado. No entanto, tem umas particulares que tenho ouvido milagrosamente sem cansar, e por julgá-las boas músicas, quis fazer uma playlist composta dessas. ♥ 






Cegueira.

 Sete da manhã de uma terça-feira. Os pedestres vexados transitam em suas pernas céleres. Os carros passam velozes como vultos. Os sons misturam-se, vozes confusas, gritos desnecessários, alertas compulsórios. Fúria. Tão cedo, mas tanto cansaço. Pressa desesperada. Não há misericórdia dentro desses dias. 

 Na confusão pulsante das avenidas, algo me para. Um par de olhos. Olhos tão gelados — mesmo que o sol arda sobre nossas cabeças, mesmo que faça mais de trinta graus agora. Os olhos desconhecidos fazem-me congelar; aquelas retinas pretas como um abismo paralisam o meu andar. É o menino mais triste da terra, eu posso ver. Uma angústia tão real que quase posso tocar. Aquela dor consegue me tolher. São os olhos mais tristes do planeta. Uma desgraça quase criminal. Quis emitir qualquer som que encontrasse o garoto. Quis salvá-lo, buscá-lo — como?

 A onda da multidão me empurra de volta, interrompe meu pesar. Sigo o bando escondendo a perturbação. São mesmo os olhos mais tristes do planeta; mas a terra — esta velha tão habituada à penúria — não pôde espantar-se com eles.

Pra aquietar a mente e o coração.

 Depois de passar alguns meses do ano passado sendo bem prejudicada pela ansiedade, acabei desenvolvendo alguns truques para afastar essa sanguessuga de mim, e isso tem me mantido ligeiramente mais estável.
 Quando ociosa, o risco de me sentir ansiosa cresce em umas dez vezes, então faço o máximo possível pra passar o tempo inteiro ocupada fazendo qualquer coisa que seja. No momento em que vejo a má sensação me rodeando, começo a me encher do que me faz bem, na esperança de que ela não me atinja de fato. Devo ser sincera e dizer que, bom, algumas vezes a tentativa é falha; a ansiedade é essa coisa arrebatadora e inesperada que muitas vezes nos deixa desarmados, mas com o tempo e experiência com as crises, tenho conseguido fazer meus métodos funcionarem e mantê-la o mais distante pelo máximo de tempo possível.
 Listei as coisas que me acalmam nesse tipo de momento porque, bom, hoje precisei dessas coisas e vai que ajuda alguém também. (: 

• Escrever.
• Banhos quentes e lentos, sentindo a água correr por cada parte do corpo...
• Ouvir músicas boas.
• Conversar com pessoas queridas sobre qualquer coisa.
• Deitar-se na cama, fechar os olhos e pensar sobre as coisas menos importantes e mais aleatórias.
• Pintar (a funcionalidade daqueles livros antiestress de pintura com lápis é real, recomendo)
• Passar hidratante no corpo (é como um carinho em si mesmo)
• Se exercitar
• Fotografar (a si e ao mundo)
• Joguinhos bobos de celular
• Chá de camomila
• Organizar coisas (estantes, gavetas, armários, agendas...)
• Olhar pinturas
• Leituras simples
• Abraçar alguém
• Chicletes
• Chorar (ajuda tanto! a gente precisa perder o medo de chorar.)

Desassossego

 A paranoia vem no mais quieto dos momentos. Num bote inesperado como o de uma serpente, torna-me vítima, prisioneira de minha mente. Envenena-me tão sutilmente. Meus olhos arregalam-se como os de um mártir assustado; a qualquer som assinto. Sufoco-me numa torturante especulação. Inverdades são sussurradas a mim por uma voz familiar, tão convincente. Como não crer em mentiras vindas do mais profundo de mim?

 A sensatez alerta-me o irreal, tenta trazer-me de volta ao sério; mas esta é tão ínfima comparada ao engano leviano do coração, tão amendrontado, tolhido, fraco. Minha cabeça sabe da verdade; meu peito não a sente. De que vale?

Natus est luna

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A lua surge minguante, chama meus olhos, exibe-se só para mim; cintila em sua palidez divina. Sussurra a sina da vida, alerta-me da angústia natural dos dias; ainda assim, meu coração encolhido agradece à tarde púrpura que se despede. 

Qualquer coisa causa-me um ardor que corre latente e esplêndido por minha face; faz-me lembrar a vida que pulsa embaixo de minha pele. Sorrio em solidão. Há uma beleza deslumbrante habitando o comum das coisas. 


No padecer cotidiano, encontro minha graça.