acid baby

Pesar


 É como se nenhuma das coisas que eu amei me abandonasse. Mesmo quando declaro óbito ao sentimento, com documento assinado e certeza absoluta, há sempre um fantasma que volta para me atormentar. 
 É como se a intensidade que eu ponho nas coisas fizesse tudo durar muito, durar até depois do fim.  É como se sempre houvesse um resquício de tudo que pensei que havia desfeito. 
 Eu não consigo explicar. Mas isso fere e cura. A nostalgia fere e cura. Porque quando eu penso no passado e lembro das pessoas, lugares e das coisas, há uma calma, um sentimento de satisfação por ter participado e feito coisas tão belas, verdadeiras. Mas existe também uma dor, uma pontada, uma faca enferrujada que entra tão lentamente que me tira o ar. Uma voz sussurrante que alerta que aquilo ali foi lindo, mas que já foi, e se foi para não mais voltar. A angústia da consciência de que tudo aquilo não vai se repetir. Eu não sei qual dos dois sentimentos vence.

4 comentários:

  1. Eu me sinto exatamente assim quando penso no passado :c uma nostalgia que fere...

    Ahhh, sou eu sim que faço aqueles desenhos huahua :3


    Com amor,
    Bruna Morgan

    ResponderExcluir
  2. "há sempre um fantasma que volta para me atormentar", toda vez que entro aqui e leio um dos teus textos eu sempre me identifico com algo, isso é impressionante!

    ResponderExcluir

♥ sinta-se à vontade, meu amor, mi casa es su casa. só lembre-se: respeito acima de tudo. ♥