acid baby

Protetor solar

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Há neste mundo muita agonia e barulho e destruição e apatia. Há a fome e as mulheres que perdem seus meninos para ela e o vazio nos olhos dos homens e as bocas ácidas com suas palavras fatais e as catástrofes naturais e o aquecimento global e a política do mal e essa ansiedade e essa tristeza e tudo isso que oprime e sufoca e mata e destrói um largo pedaço de mim todos os dias. Mas há também há os risos e as flores e as moças bonitas e os namorados e as pontes e a lua que brilha e cresce a maré. Há a bondade de avó e a inocência da criança e o grito de surpresa e a espontaneidade e meu coração que ainda bate e meus pulmões que funcionam e os cheiros da cidade. E é para isso que meus olhos se voltam neste dia que reluz. Porque hoje o sol pareceu me seguir. E quando qualquer esboço amuado aparecia-me na cara, seus fulgentes raios passeavam sob minha pele pálida por entre os pelos alourados; faziam-me cócegas, traziam-me um riso daqueles que ressoam por dentro e avivam a alma. O calor abraçara-me como um velho amigo. Os ventos levam minha fadiga e fazem-me nova. 

Carta última.


Amamo-nos como anjos mas, humanos que somos, erramos. E como humanos — falhos e tão confusos — perdemo-nos; entre cruéis desencontros, foi-se a luz, desbotaram-se as cores, e disso restou um sentimento tão pálido  e insosso quanto o rosto de um morto, despencado na dureza de um caixão escuro. Declarou-se óbito; dissipara-se nossa conexão.

Declamo ao papel a delineada poesia da vida que juntos traçamos outrora e que  ressoará eternamente em mim, eco de meu amor, cinzas desta paixão. A bela eternidade do nossos dias está em mim marcada irremediavelmente. Amo fervorosamente o fantasma do que fostes; estás em qualquer canto que eu vá, em pedaços de tudo que vejo. O que causaste em minha existência não há prosa que diga; carrego comigo marcas perenes, tão fundidas a minha pele que as confundo, mal as sinto — habitam meu subconsciente. Tenho-te como uma flor presa ao peito. Guardo mornas tuas memórias — não hei de olvidá-las.

As imagens coloridas deste passado não mais provocam-me qualquer tremor. Rememoro-te jubilosa,  entre sorrisos; tenho a ti como uma deliciosa ventura — uma das melhores desta vida. Estas lembranças trazem-me incrível sabor, estranha felicidade. Fomos infinitos enquanto duramos. E isso me basta para seguir.

Perdoo-te pelas cicatrizes que fizestes. Perdoa-me também pelas que deixei. Nossas falhas também engendraram essa história que amo por completo e a elas reverencio como participantes dessa linda odisseia. Crimes passionais hão de ser sempre absolvidos.

Agradeço ao cosmos, ao tempo e ao espaço por ter colidido nossa existência. Trouxesse-me o que precisava e eu espero ter lhe dado algo também. Obrigada pelo que fomos. Que sejamos agora muito mais. 

God don't let me lose my mind

Tenho estado exausta. Há momentos onde sinto-me incapaz de realizar o mínimo dos movimentos porque tudo que preciso é fechar os olhos e deixar-me quieta em qualquer canto; eu não sei bem de onde vem esse desgaste. Esse sono não há cama que anule. De tão exaustos, meus olhos pairam estáticos, não podendo sequer fechar. Meus pensamentos não funcionam, tampouco fluem minhas leituras. As palavras perdem-se e sequer posso escrever com sensatez; é sempre mais do mesmo. Pareço estar distante deste corpo, assistindo-me de longe —  fantasma de mim — perdendo contato, não mais me alcanço. Piloto automático. Ansiedade latejante. Minha voz soa remota, minhas mãos perdem o tato. Tudo passa rápido. Meio oco. Meio pálido.  A gravidade dos pensamentos arrasta-me para um abismo inacabável; a queda parece não ter fim. Perco-me, não sei como, não vejo onde; pedaços caem na estrada que percalço. De dentro para fora, padeço; meu corpo não mais parece responder. Torna-se inerte cada centímetro de minha pele. Cada extremidade de meu cérebro parece corroer-se muito lentamente, queimando qualquer possível solução. Mal penso. Mal falo. Turvam-se todas as imagens, vão-se os sentidos. E tudo isso desespera-me, deixa-me inválida. Eu não quero perder a cabeça.

Got so much to lose 
Got so much to prove 
God don't let me lose my mind

Sobre dias loucos e as músicas que os acompanham.


 Acabamos de entrar em agosto e olhando pra trás, há um mês, no dia primeiro de julho, havia muita coisa diferente na minha vida. É louco como trinta dias — meros trinta dias, que tornam-se ínfimos na soma total de horas nossa existência mas têm seu impacto quando olhados especialmente — são o suficiente para a vida vir com suas tempestades e furacões e mudar absolutamente tudo de lugar. Pois bem.
 Abri ciclos e fechei outros. Houveram tantas descobertas — e a maior delas foi justo que há tanto pra se descobrir. Percebi em mim muito não alcançado. Há vãos de meu ser que meus dedos e meus olhos ainda não puderam chegar; percebê-los e buscá-los tem sido cansativo, admito. Ainda assim,  é um processo muito interessante. Causa muita estranheza encarar seus próprios abismos, escondidos por tanto tempo dentro de si. Perco-me nos novos caminhos, sem ideia de onde ir. Sensações desconhecidas. Novos sabores. Outras coisas. Indago-me, desafio-me. Duvido o tempo todo.
 Aceito e me adapto às mudanças; danço conforme manda a música da vida. Mesmo com pés cansados e cabeça tonta, sigo rodopiando, movendo-me em passos tortos, aprendendo como posso.
  Ando um tanto quanto exausta, devo confessar; e há inúmeros motivos pra esse cansaço que é físico e principalmente mental. Mas dentro dessa exaustão há certo bem estar também. É um sentimento paradoxo que eu não poderia explicar, mas o sinto e é o que importa. O que escrevo também não tem muito sentido; mas também não tenho eu, então não há muito o que fazer.

Uma trilha sonora desses dias loucos. 






Descoberta.

Uma liberdade límpida e inteira toma minh'alma, espalha-se plenamente e emana de meus poros. Há conforto na casa de meu corpo. Dona de mim, tomo-me nas mãos. Na sensação, uma descoberta incrível: tudo posso ser (e sou). Tudo posso ter (e tenho). Uma infinitude que de tão grandiosa, espanta. Encontram-se muitos fragmentos flutuantes de mim, sortidos, espalhados; unem-se num belo encaixe, formam algo novo. Desconhecido sentimento que invade-me e deixa-me sem entender; pouco importa: o melhor da vida é o inexplicável. O que não cabe nas palavras sempre me atraiu mais; é livre, voa, toma as formas que desejo. Prefiro o intangível. O solto. E deixo-me assim ser. Assim ir.