21/11/2017

Pesar


 É como se nenhuma das coisas que eu amei me abandonasse. Mesmo quando declaro óbito ao sentimento, com documento assinado e certeza absoluta, há sempre um fantasma que volta para me atormentar. 
 É como se a intensidade que eu ponho nas coisas fizesse tudo durar muito, durar até depois do fim.  É como se sempre houvesse um resquício de tudo que pensei que havia desfeito. 
 Eu não consigo explicar. Mas isso fere e cura. A nostalgia fere e cura. Porque quando eu penso no passado e lembro das pessoas, lugares e das coisas, há uma calma, um sentimento de satisfação por ter participado e feito coisas tão belas, verdadeiras. Mas existe também uma dor, uma pontada, uma faca enferrujada que entra tão lentamente que me tira o ar. Uma voz sussurrante que alerta que aquilo ali foi lindo, mas que já foi, e se foi para não mais voltar. A angústia da consciência de que tudo aquilo não vai se repetir. Eu não sei qual dos dois sentimentos vence.

20/11/2017

Speechless

 furyouwithlove-blog:
“Vincent van de Wijngaard
”

 Você nunca vai me dar flores, porque você não acha justo matá-las por uma felicidade momentânea. Você não precisa declamar aos sete cantos do mundo como se sente sobre mim. 

 Isso não é uma reclamação. Eu gosto. 

 Você tem seus próprios modos de se declarar e eu compreendi isso há muito tempo atrás. Foi difícil, mas eu pude entender um dia. São jeitos diferentes, algumas vezes difíceis de captar, mas são tão seus que fazem os clichês românticos serem absolutamente dispensáveis entre nós dois. 
 Eu sinto seu amor por mim quando você quebra a cabeça pra me explicar fatos do universo que nem você mesmo entende bem. Eu sinto seu amor por mim nos seus acordes e nas suas letras, na sua empolgação quando sou a primeira pessoa que você mostra uma nova música que aprendeu a tocar no violão. Eu sinto seu amor por mim quando eu, adormecida nas madrugadas frias, sinto você dispor seu corpo sobre o meu só pra me tornar quente. Eu sinto seu amor por mim quando você aceita passeios entediantes só porque pra mim eles parecem uma boa ideia. Principalmente, eu vejo seu amor por mim na sua íris castanho escuro, enquanto você me observa nos dias comuns, na agradável rotina que nos acompanha. 
 Apesar de, na vida no geral, eu ser extremamente prolixa, eu sempre senti que com você não é preciso. Não é necessário palavras pra dizermos um eu te amo. Basta uma troca de olhares, um encostar, e pronto, está feita a declaração. Acho que é isso que chamam de conexão, não é?