acid baby

Noite azul

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Envoltos pela maresia, os corpos azulados pela noite aquecem-se dentro de seu próprio fogo incessante, sobrevivente ao ventar gélido da praia. Puxam-se para perto, bem perto, desejando fundir-se e quem sabe assim suprir essa necessidade interminável. Entre risos devassos e palavras embebidas na mais desvairada volúpia, trocam olhares que consomem-se, transbordam um desejo tão latente que os deixa mudos. Têm a lua como testemunha de seu pecado. Adoram-se por pura luxúria.

R.

Tua língua esquenta meu fim de tarde; é a mais letárgica droga que meus sentidos conheceram.

Caminho sensorial.

O perfume inconfundível que abriga a curva entre teu ombro e a tua nuca assombra-me nesta tarde morna de outono. É incrível o poder de uma fragrância: remonta histórias, desperta desejos, traz de volta o perdido, revela formas. O olfato traz-me tua imagem; quase posso tatear tua carne. Afogo-me num mar de arrebatadores sentidos. O cheiro enlaça-me e deslumbra-me o senso; o mapa aromático encurta os quilômetros, leva-me até você.
twister:
“by Alícia Cohim
”

E apesar das palavras ácidas e desse agir inatingível de quem tudo sabe, teus olhos me falam de como está perdido teu coração. Tuas palavras tremem. Eu vejo a criança amedrontada que corre e esconde-se por ter medo demais.

Eu te salvaria se eu pudesse.

Protetor solar

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Há neste mundo muita agonia e barulho e destruição e apatia. Há a fome e as mulheres que perdem seus meninos para ela e o vazio nos olhos dos homens e as bocas ácidas com suas palavras fatais e as catástrofes naturais e o aquecimento global e a política do mal e essa ansiedade e essa tristeza e tudo isso que oprime e sufoca e mata e destrói um largo pedaço de mim todos os dias. Mas há também há os risos e as flores e as moças bonitas e os namorados e as pontes e a lua que brilha e cresce a maré. Há a bondade de avó e a inocência da criança e o grito de surpresa e a espontaneidade e meu coração que ainda bate e meus pulmões que funcionam e os cheiros da cidade. E é para isso que meus olhos se voltam neste dia que reluz. Porque hoje o sol pareceu me seguir. E quando qualquer esboço amuado aparecia-me na cara, seus fulgentes raios passeavam sob minha pele pálida por entre os pelos alourados; faziam-me cócegas, traziam-me um riso daqueles que ressoam por dentro e avivam a alma. O calor abraçara-me como um velho amigo. Os ventos levam minha fadiga e fazem-me nova.